Sobre mim

Olá! Eu sou o Marlon Brandão de Sousa, engenheiro de software, aqui de Curitiba. Trabalho com tecnologia desde 2004, e boa parte desse tempo nos sistemas que movem o dinheiro das pessoas: internet banking, remessas e pagamentos internacionais.
Também sou um desenvolvedor cego, palestrante e defensor da acessibilidade digital. Pagamentos de um lado, acessibilidade do outro — não são duas carreiras. Construir software financeiro em que as pessoas confiam, e construir software que todo mundo consegue usar, é o mesmo problema atacado por dois caminhos, e é o trabalho com que mais me importo.
Se existe um fio ligando tudo que eu faço, é o gosto de ficar nos bastidores. O framework em vez da interface, a infraestrutura de testes em vez da funcionalidade, o complemento em vez do aplicativo — a parte que torna possível o trabalho dos outros e quase nunca leva o crédito. O mesmo desafio me motiva desde mais ou menos 2005: como a tecnologia inclui as pessoas. Troquei de ferramenta o tempo todo, sem nunca trocar de desafio. Também é explicando que eu penso: se eu não consigo escrever uma coisa para outra pessoa, provavelmente ainda não entendi. E peço ajuda sem constrangimento — a colegas, a um agente de IA, a alguém na calçada para atravessar a rua — porque recusar ajuda para proteger o próprio ego deixa você pior, o seu software pior e o mundo pior.
Longe do teclado sou cristão e marido, e minha família vem antes do resto desta página. Eu canto, leio, toco trompete e viajo o quanto consigo — tanto que minha esposa Atena e eu passamos vários anos fazendo o Blindando, um podcast sobre turismo e diversão do ponto de vista de nós, cegos, com episódios de Havana a Machu Picchu e Estocolmo. No fim das contas, quase tudo de que eu gosto volta para o mesmo ponto que o trabalho: ajudar pessoas.

Experiência profissional
- EBANX — Engineer Specialist (ago. 2024 – hoje): Uma das maiores fintechs da América Latina, e a infraestrutura de pagamentos internacionais que comerciantes globais usam para vender na região. Meu trabalho tem duas frentes. A primeira é pesquisa sobre IA aplicada à engenharia de software — como agentes conquistam um lugar dentro de uma organização de engenharia que roda software em produção, e não dentro de uma demonstração, incluindo uso extensivo do Devin, da Cognition AI, que me levou ao Champions Summit da Cognition em São Francisco, em junho de 2026, como um dos vinte usuários convidados do mundo inteiro. A avaliação que deu origem a esse trabalho, e o que a empresa fez com ela, são o tema do estudo de caso do EBANX publicado pela Cognition. A segunda é escrever os frameworks de base sobre os quais os outros times constroem, para que operações de engenharia sejam algo que a plataforma oferece, e não algo que cada time reinventa.
- Remessa Online — Staff Engineer (nov. 2022 – jul. 2024): Transferências internacionais de dinheiro, na plataforma que move recursos entre países para pessoas físicas e empresas, construída em microsserviços JavaScript e TypeScript. O trabalho era o clássico de um staff engineer: code review, estratégia técnica e mentoria. Desenhei o sistema de autenticação multifator que a empresa usa e o construí em Java com um time sob a minha liderança, construí produtos de enablement para outros times de engenharia e assessorei a alta liderança sobre necessidades de engenharia e sobre onde estavam de fato as maiores oportunidades de melhoria.
- EBANX — Senior Engineer, e Chief Engineer no Compass (ago. 2019 – out. 2022): Em uma passagem anterior pelo EBANX, liderei a engenharia do Compass, a operação bancária da empresa nas Ilhas Turks e Caicos, licenciada lá como Compass Trust Ltd. Montei o sistema bancário inteiro: contas, gestão de cartões, extratos, o autorizador de cartão de crédito, back office, atendimento ao cliente e processamento de arquivos. Tudo em Rust, tudo em Kubernetes: serviços assíncronos em Tokio, conversando por gRPC, com RabbitMQ entre eles. No auge, o cartão Compass atendia perto de dez mil pessoas que viviam nas ilhas ou vinham delas, muitas das quais não se qualificavam para um cartão de um banco comercial estabelecido.
- Itaú Unibanco — Plataforma de Internet Banking (mar. 2011 – jul. 2019): O internet banking do maior banco privado do Brasil rodava sobre um framework próprio: uma linguagem de domínio específico na qual os desenvolvedores escreviam as páginas, o interpretador dela em C++, o sistema de login, os adaptadores de dados que as páginas consultavam para obter dados dinâmicos e as camadas de log e de feature toggle. Fui um dos principais arquitetos e mantenedores desse framework. Quando ele deu lugar a Spring e Java, desenhei, escrevi e mantive a camada de convivência que permitiu aos dois compartilhar login, sessões e log enquanto as transações migravam uma a uma — uma migração arriscada que aconteceu sem nenhum incidente do lado C++. Também gerenciei times que construíam transações de internet banking e assessorei os times de front-end de mobile e internet banking em acessibilidade.
- Accenture — Senior Software Developer, depois Analyst Programmer (2008–2011):Auditorias CMMI nível 5 em projetos ABAP, transformando achados de auditoria em melhorias de processo e, mais tarde, supervisionando o time de auditoria — treinando auditores e construindo o ferramental sobre o qual rodavam os processos de qualidade e engenharia da organização.
- Rede Globo — Software Developer (2004–2008): Pesquisa e desenvolvimento para a maior emissora do Brasil: prototipar e avaliar novas tecnologias frente às demandas internas da emissora, apresentar os projetos resultantes e ajudar a estabelecer um processo básico de desenvolvimento de software.
Palestras e entrevistas
- “As novas regras do jogo” — DB1 Global Software, Maringá, setembro de 2026. Duas horas com os engenheiros e as lideranças da DB1 sobre o que muda quando o código passa a ser escrito por algo que não lembra nada de uma sessão para a outra: o loop que toda profissão roda entre “está escrito” e “está certo”, quanto do nosso a gente de fato construiu, e o que acontece com os seis trabalhos em volta da cadeira de quem escreve quando é um agente que senta nela. O argumento está escrito, em inglês, na série The question CTOs are probably not asking: is our loop closed?.
Um trecho de 77 segundos de “As novas regras do jogo”, publicado pela DB1 Global Software e reproduzido aqui com autorização. Legendas em português e em inglês. Transcrição
Marlon, no palco: O código era valioso porque ele era escasso.
DB1: Hoje temos aqui no auditório da DB1 uma palestra sobre IA do nosso cliente EBANX. O tema da palestra vai ser como ficam as consultorias nesse mundo de IA.
Marlon, no palco: A gente tava numa era semi-industrial de software, onde a nossa principal função era ainda artesanal. O que muda na nossa indústria com a era agêntica?
Marlon, em entrevista à DB1: Eu sou o Marlon, eu trabalho no EBANX atualmente, e há dois anos eu estou pesquisando muito profundamente o uso de IA dentro do contexto de engenharia de software. Encontrava muita leitura teórica sobre o que é um LLM, sobre o que é RAG. Faltava pra mim, quando eu comecei a pesquisar, alguma coisa que fosse um pouco mais aplicada. Quer dizer, tá, beleza, eu sei o que é tudo isso, como é que eu pego esse monte de conceito e trago pro meu dia a dia?
Não é só custo, né? Custo é importante, é óbvio, prazo é importante, é óbvio, já que o esforço a gente basicamente baniu da equação. A questão é: tá, e aí? Agora que a gente tem tudo isso, como é que a gente faz pra ter um resultado coerente e descobrir o que fazer a partir daqui? Como é que a gente toma pé da situação? Muita coisa muda, e muita coisa tá mudando. Como é que você lida com tudo isso, né?
- Cognition Champions Summit — sede da Cognition, São Francisco, junho de 2026. Para o seu primeiro Champions Summit, a Cognition reuniu vinte dos seus principais usuários de Devin no mundo — times que já rodavam o Devin em produção em migrações, ferramental interno e automação — para um dia de workshops sobre os fluxos de trabalho que mais importam para cada um deles. Eu fui um dos vinte, e falo no vídeo do summit, a partir de 1:49, sobre o que tornou o dia útil: sessões em que os problemas reais do produto foram discutidos tão abertamente quanto as soluções que tínhamos encontrado para eles.
- EBANX e Devin — estudo de caso da Cognition. A Cognition publicou a adoção do Devin pelo EBANX como um estudo de caso, contado a partir da avaliação que me pediram para conduzir: um mês lendo os logs completos das sessões, uma integração com um provedor de pagamento estimada em seis semanas e entregue em cerca de doze horas, e o que muda, para um engenheiro cego, um agente que verifica o próprio trabalho. O texto também relata que 92% dos pull requests aprovados na plataforma central de pagamentos do EBANX hoje são criados com o Devin. Leia o estudo de caso. Depois, a Cognition contou a mesma história em um vídeo curto no LinkedIn, em inglês.
- Agentes de IA em produção — segundo EBANX Engineering Meetup, Curitiba, novembro de 2025, apresentado em dupla. Sobre o uso maduro e estratégico de agentes de IA em uma organização de engenharia: o que medimos, por que não é mais um ciclo de hype, e a construção ao vivo de um serviço testado em quinze minutos. O meetup não foi gravado, então a palestra está escrita em “AI Agents are Not Hype: They are Driving Core Business Value at EBANX”.
- “Escolhi uma plataforma para desenvolver. E agora?” — trilha de Acessibilidade, TDC Florianópolis, 2018. Perfil de palestrante.
- “Programar sem enxergar” — Hipsters Ponto Tech #82, fevereiro de 2018. Uma conversa sobre se dá para escrever software sem enxergar, e como.
- “Como cegos desenvolvem software: da concepção à implementação” — DevDay, Belo Horizonte, setembro de 2017. Vídeo no InfoQ Brasil.
- “O protagonismo dos deficientes visuais na área de tecnologia da informação” — trilha de Acessibilidade Digital, TDC Porto Alegre, 2017.
- “Como deficientes visuais desenvolvem software — da concepção até uma implementação prática” — trilha de Acessibilidade Digital, TDC Porto Alegre, 2017.
- podProgramar — entrevistado em um dos podcasts de programação mais conhecidos do Brasil.
- BlindTec — quase uma década de artigos, tutoriais e episódios de podcast sobre tecnologia assistiva, no meu arquivo de autor.


Divulgação e comunidade
- Fundador e editor-chefe — BlindTec: Criei e lidero o BlindTec, principal portal e podcast de tecnologia assistiva do Brasil, publicando artigos técnicos, tutoriais e entrevistas sobre leitores de tela, acessibilidade de software e carreira em tecnologia.
- Coordenador de trilha — The Developer's Conference (TDC): Coordenador da trilha de Acessibilidade no TDC São Paulo em 2018, e palestrante no TDC e no DevDay ao longo de vários anos. As palestras estão listadas acima.
- EasyWay — segundo lugar no FIAP StartupOne: Com um designer e outros dois engenheiros, construí o protótipo de um sistema de localização em ambientes internos para ajudar pessoas a se orientarem em locais complexos como centros de exposições, shoppings e estádios.
Áreas de interesse
Na ordem em que elas me interessam hoje:
- IA aplicada à engenharia de software: O que é preciso para um agente produzir software do qual profissionais possam realmente depender — especificações, arquitetura definida antes, ciclos de feedback rápidos e validações que o próprio agente consiga conferir. Aí entram servidores Model Context Protocol como o
screen-readers-mcp, que permitem a agentes dirigir leitores de tela para rodar testes funcionais automatizados, trazendo cobertura de verdade para software que historicamente foi conferido à mão — quando era conferido. - Desenvolvimento bancário: Core banking, autorização de cartões, livros-razão e pagamentos — correção, confiabilidade e confiança em sistemas em que errar custa dinheiro real de alguém.
- Desenvolvimento em Rust: Minha linguagem preferida. Me interessa o argumento de que Rust não serve só para trabalho de sistemas — de que dá para escrever ferramentas de linha de comando, serviços e aplicações de desktop nela em um alto nível de abstração e ainda assim ganhar de graça o desempenho, a facilidade de distribuição e as garantias de segurança de memória.
- Desenvolvimento de código aberto: Construir em público, principalmente tecnologia assistiva: complementos para o NVDA, ergonomia de leitores de tela e ferramentas que a comunidade de acessibilidade possa pegar e usar sem pedir permissão a ninguém.
Formação
- Pós-graduação (MBA) em Mobile & Game Development (2016–2017): FIAP
- Tecnólogo em Gestão da Tecnologia da Informação (2011–2013): Unisul
- Técnico em Processamento de Dados (2002–2003): Etec Lauro Gomes
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